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É bom estar de volta

  • Foto do escritor: Julia Melo
    Julia Melo
  • 2 de nov. de 2019
  • 1 min de leitura


Era uma quinta-feira nublada de um outubro que nunca acabava. Estava em ônibus à caminho da faculdade, respirando fundo pois os dias que se seguiriam seriam cheios e apesar de estar empolgada com as tarefas, que eram a única coisa que ainda me mantinham viva, a ansiedade apertava o estômago.


Como de costume, muito bem preparada. Um livro, uns podcast's e episódios de algumas séries. Não lia um romance há meses. Não via um romance há meses. E principalmente, não me permitia escutar sobre há um bom tempo.


Foi quando, despreocupadamente, me peguei derramando lágrimas com uma série nova que havia começado. Era sobre romances, da forma que gosto, comuns, clichês e que me faziam mergulhar em sonhos.


Enquanto algumas gotículas se desprendiam dos meus olhos, me dizia que só estava tendo essa reação, pois andava guardando muita coisa e só estava emocionada.


Você já se emocionou ao ver uma criança sorrir?


E de repente, aconteceu. Aquela faísca que nos consome por dentro. Vem subindo todo o corpo, arrebata seu estômago, causa um nó na garganta e te faz querer vomitar.


A ânsia me fez vomitar. Vomitar palavras. E finalmente, depois de tanto tempo sem sentir, sem se permitir, sem escrever, lá estava. Algo clichê. E romântico. E comum. E tão eu.


Escrever sempre foi mais sobre mim do que sobre outros. Contar histórias, guardar momentos e transbordar. Eu andava tão cansada, tão pesada e sabia, que precisava vomitar aquelas coisas. E enquanto escrevia, mais lágrimas saíam, porque era como finalmente encontrar o que havia se perdido, me reencontrar.


A história escrita não importa. O que importa é que ainda amo, sinto e escrevo. Clichê. Comum. Romântico. Mas escrevo.

3 comentários


Lunna Guedes
Lunna Guedes
12 de nov. de 2019

uau, fiquei a imaginar o tempo em movimento, as situações, sensações antes desse reencontro e, confesso, que tracei um paralelo para mim. No tempo de ontem eu vivia outra vida que não essa e minha realidade era bem diferente. Não sei dizer se certa ou errada, eu gostava da pessoa que era, mas me cansei das coisas sempre iguais e quando me deparei com uma pessoa tão diferente de mim, percebi que estava indo para frente a passos largos e já estava bem distante de mim.


bacio

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Sobre a leitura
Sobre a leitura
11 de nov. de 2019

Que texto lindo! Nada melhor que se reencontrar depois de tanto tempo, né? De emocionar mesmo. Também tive minha época de sentir falta de mim mesma e a sensação de retorno é de transbordar pelos olhos mesmo por não conseguir se conter dentro de si. Parabéns pelo retorno!

Beijos,

Amanda Rocha

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Patricia Monteiro
Patricia Monteiro
11 de nov. de 2019

Acho tão bonito quando uma pessoa consegue exprimir suas emoções através da escrita...é um talento especial destinado aos corações sensíveis. Crianças despertam nossas emoções mais puras, difícil não se sentir tocado com elas :)

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